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O sorteio ditou que a estreia no Campeonato colocasse frente a frente dois vizinhos: Gondomar e Alfenense. Duas equipas, certamente, com vontade e crença numa época positiva, certamente com objectivos bem definidos e, como tal, com vontade de conquistar os três pontos.
Contudo diz a experiência que o 1º jogo do Campeonato é sempre um jogo especial, um jogo marcado por uma grande carga emocial, carga essa que muitas vezes impossibilita que as equipas exibam desde logo o seu melhor futebol. O jogo de hoje foi um desses casos. Desde o 1º minuto que se sentiu a ansiedade e nervosismo nos miúdos, numa equipa e noutra, e com isso perdeu o futebol.
Resumindo o jogo, de referir que o Alfenense entrou mais confiante na partida e atrevido. Sustentados num bloco defensivo com bastantes unidades e um jogo a solicitar desmarcações dos avançados nas costas dos nossos defesas, o Alfenense tentou a sua sorte e durante 15, 20m bateram-se bem e conseguiram equilibrar o jogo. A nossa equipa pareceu sempre muito ansiosa. Muita precipitação no passe, um bloco pouco subido e alguma dificuldade para furar a defensiva contrária. Registiram-se imensos passes “fáceis” falhados, perdas de bola pouco naturais e uma equipa com dificuldade para se encontrar, para serenar e com isso pegar no jogo. Se é verdade que em termos defensivos só por uma vez o Alfenense conseguiu rematar á baliza, não é menos verdade que a nossa equipa também pouco fez por merecer o golo. Contudo o mesmo acabaria por surgir de pontapé de canto. Estava feito o 1-0 e estava garantida a tranquilidade necessária para alterarmos a nossa postura. Até final da 1ª parte o Alfenense viu-se abafado, os pontapés de canto começaram a acumular-se, as oportunidades surgiram, mas o golo da tranquilidade não apareceu. Ficamos a dever a nós mesmos o segundo golo que provavelmente mataria o jogo.
Ao intervalo a mensagem foi de tranquilidade, de sorriso nos lábios e de procura de um futebol melhor, mais positivo. É verdade que durante todo o segundo tempo fomos mandões, jogamos no meio campo adversário e assumimos o jogo, mas mais uma vez falhou critério na posse, faltou variação do centro de jogo e faltou sobretudo eficácia. Jogando contra um Alfenense que já se apresentava partido, actuando com 8,9 homens atrás da linha de bola e dois jogadores na frente, fomos, sem grande brilhantismo, acumulando situações de golo, pontapés de canto, 1x1 frente ao guarda-redes, mas a ansiedade traiu-nos e não conseguimos fazer o golo que se exigia. Os minutos finais, de tudo por tudo do Alfenense, foram escusados, podiamos e deviamos ter matado o jogo antes, mas o futebol é assim mesmo e quem não marca arrisca-se a sofrer. Felizmente não foi o caso, mantivemos as nossas redes invioláveis e acabamos o jogo com três preciosos pontos, justos diga-se.
O clima de euforia que rodeava esta equipa, as expetativas que foram sendo criadas ao longo da pré-temporada e também, algo que aqui foi referido, o idealismo que se criou em torno dos objectivos que devem nortear o pensamento do colectivo, acabaram por atraiçoar os jogadores, que provavelmente estariam á espera de mais um jogo em que iriam golear sem grande dificuldade. Como tal, este acaba por ser um jogo importante para o crescimento da equipa. Num campeonato nacional não há jogos fáceis por antecipação. Quem tem por obrigação fazer dos jogos, jogos fáceis, somos nós, dentro de campo, com personalidade, identidade e ambição! No jogo de hoje faltou-nos muita agressividade no pressing, faltou-nos um bloco mais alto a impedir que o adversário tivesse tempo e espaço para tentar explorar as nossas costas, a impedir que tivessem tempo e espaço para se virarem e decidirem onde colocar a bola. Por outro lado, com bola, abdicamos de tentar fazer algo que nos será exigido em muitos jogos: circular com paciencia, com critério e com eficácia. Ao invés procuramos furar, furar, sempre na base da alma e menos em termos racionais, tivemos algum receio de ter bola, de partir em situações de 1x1 e abdicamos de jogar a 2, 3 toques, que era o que se exigia contra uma equipa tão fechada. Temos de ter a clara noção que contra equipas fechadas, a bola terá de circular depressa e bem em busca de possíveis desequilíbrios para explorar.
Foi o primeiro jogo, a ansiedade, esperamos todos, foi embora e a partir de agora é fundamental arrancar para exibições com outro querer, outra alma e sobretudo outra confiança. Teremos de acreditar sempre no nosso talento, teremos de querer mais do que o adversário e teremos de saber relativizar todo o ambiente que se cria em redor da equipa! Mais garra, mais entrega, mais agressividade!
Fica também o agradecimento ao muito público que se deslocou ao S. Miguel para apoiar a equipa!
Força Gondomar! Seremos nós a escrever o nosso futuro!
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