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Chega a ser penoso falar sobre o jogo de hoje.
Há todo um sentimento de desilusão. Não é de tristeza, de insatisfação, é de pura desilusão.
Ao longo da época tenho vindo a evidenciar o crescimento deste grupo de jogadores em muitos sentidos, mas particularmente em termos de cultura tática e em termos de empenho e concentração na tarefa.
O Futebol praticado tem vindo a crescer com o tempo, há vários jogadores em patamares de evolução muito interessantes, mas ao longo da época o factor que nos foi arredando de outros objectivos, vai aparecendo a espaços: a intermitência, a irregularidade.
É impressionante como o “chip” muda de semana para semana.
Na semana passada tivemos um jogo extremamente difícil em Santo Tirso, sob condições adversas, mas os jogadores com mais ou menos brilhantismo foram guerreiros, foram valentes, empenhados, híper concentrados.
Hoje, que tínhamos um adversário mais que acessível a jogar na nossa casa, pura e simplesmente não aparecemos para jogar.
Durante semanas temos trabalhado aspectos específicos, respostas múltiplas para o mesmo problema, capacidade para desequilibrar o adversário através de muita movimentação e circulação de bola.
Chegamos ao jogo de hoje e deitamos tudo isso ao lixo.
A razão? Não é tática, não é técnica, não é física, não é de quem entra de início, ou das substituições. De nada valem esses factores se a responsabilidade, empenho e concentração não estiverem bem presentes.
Sobre o jogo…
Vou ser breve, pq não consigo tirar nada de positivo deste jogo. A exibição foi má. Pela exibição julgo que o mais justo era sermos castigados com derrota. Um penalty caído do céu lá nos deu o empate.
Do 1º ao último minuto fomos uma equipa desligada, apática, sem dinamismo e sem arreganho. Limitamo-nos a procurar sempre, sempre, a mesma solução, a única solução que havíamos pedido para não tentar, que já tinha dado mau resultado frente ao Valonguense.
Tentar de forma amorfa e desligada, jogar na profundidade, quando temos pela frente centrais rápidos e fortes fisicamente…é tão só entregar a bola ao adversário.
Foi o que fizemos durante 80 minutos.
Não há muito a dizer.
Fica um sentimento de profunda desilusão. Numa altura em que sentíamos a equipa a crescer e mais responsável. Numa altura em que decidimos aligeirar um pouco os treinos e dar mais espaços para a auto-responsabilização de cada atleta,acabamos por ter uma exibição destas.
E repito: por dois factores apenas e só: ATITUDE. Foi nula! CONCENTRAÇÃO. Zero!
Infelizmente não tenho um dedo que adivinha, não sou mago, mas já estava visto que ia ser assim. Uma equipa tem que funcionar como uma unidade. Todos têm que cumprir a sua função e acompanhar o ritmo.
Quando temos numa mesma equipa um jogador que ainda tocado e a medo, aceita sacrificar-se pela equipa e dar o seu contributo, mas temos outros elementos que pura e simplesmente encararam este jogo com uma irresponsabilidade total, não podemos esperar sucesso.
Como diz o ditado: o único sítio em que a palavra sucesso vem primeiro que trabalho..é no dicionário.
É frustrante tantas horas de treino, tanta coisa ensaiada, tantos bons indicadores durante a semana e chegamos ao dia do jogo, depois de na 6ª feira termos tido uma conversa no sentido de sermos responsáveis e encararmos este desafio com muito atitude, e constatarmos jogadores com falta de horas de sono, querermos divulgar a equipa e conversar com o grupo e termos 3 ou 4 jogadores atrasados para a concentração. E ver jogadores a encarar o aquecimento como um recreio de escola.
Enquanto estes “pormaiores” não mudarem, andaremos sempre entre os elogios e as boas exibições e entre os resultados negativos e as exibições menos conseguidas.
Depois não vale a pena falar em “quase” que ganhávamos. O quase conquista-se antes do jogo, na responsabilidade e na postura.
Não me alongo mais.
Foi um dia de profunda desilusão e o sentimento seria igual mesmo no caso de vitória.
Um sentimento de confiança traída!
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